domingo, 2 de março de 2014
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Ouça-me
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| Imagem: Fabius Lorenzi |
I
Um recado para vós
Que vos fazes de ovelha ao alvorecer
E segue os cuidados do pastor
E que durante a noite
Transforma-se nada dama escarlate
Deitando-se na cama de Satanás
Pondo-se a lamber o anus caprino
Para ganhar de um mestre
O que o outro não pode dar
II
Largue meu amigo
Da mão de um de vossos mestres
Para poder assim
Devotar-se ao outro com fé
Venda seu corpo ou sua alma
Decida-se
Ou largue a mão dos dois
E fique consigo mesmo
Sem constrangimentos
Siga suas próprias regras
Segure suas rédeas
Enfrente o caminho
Que tens a percorrer
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Roseate Cockatoo
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| Roseate Cockatoo |
Subverto a imagem do espelho
Para alegrar-te senhor
Subverto a personalidade que conheço
Pra agradar-te enfim,
Crio grades dentro de mim
Para não transparecer
Aquilo que realmente sou
Aquele a quem realmente quero
Cavalos marinhos
Me acompanham em minha viagem
Mantendo vivo aquilo (Que eu sempre tive vontade de morrer)
Mantendo diante de meus olhos a paisagem
E por ser indigno senhor ao teu ver
Sob teus celestes olhos padeço
Pois eu sei que não mereço
Uma cadeira ao teu lado direito
Preços terei que pagar.
Daniel Sena.
Daniel Sena.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Água com açucar
E o que eu quero na verdade
De verdade, quero todo sangue
Quero todo som
A noite escura, todo dom
Permanecer acordado
Para assim testemunhar
O espetáculo diário
Do sol raiar
Quero toda guerra e toda infância
E no momento mais difícil
Quero voltar a ser criança
Quero sentir as ondas
lamberem minhas pernas
Quero fazer da minha vida
Uma história eterna
Quero teu sorriso ecoando
Dentro da minha cabeça
Quero teu corpo
Girando na dança
Necessito que não me esqueça.
Daniel sena.
Teoria de ti
Filosoficamente meu bem
Foi o bater de tuas asas
Que arrasou meu coração
Levantou-se um tufão
E o lado de mim
Que a ti pertencia
Permanece assim sem fantasias
E tento agora não sonhar em demasia
Com tua imagem e energia
Agora permaneço assim
Sem eu
Cientificamente meu bem
Você é o fator sine qua non
Da teoria do caos
Pois teu simples sopro
Minha querida
É dentro de mim um vendaval.
Daniel Sena
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Oração
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| Imagem: Anton Semenov |
Liberta-te lobo feroz
Mostra para mim de onde vens
No coração do próprio homem
Morada sei que tens
Não se esconda lobo maldito
Não esconda de mim tua face
Pois eu sei que se continuo vivo
É por ter a ti nos combates
Levanta-te criatura infernal
Não deixe de me acompanhar
Pois se me abandonares velho amigo
Como ei de poder batalhar
Mastigado e cuspido serei
Pois sem ti não há salvação
Acompanha-me lobo maldito
Pois só tu és meu irmão
Liberta-me lobo maldito
Das amarras a me aprisionar
E mostra-me lobo maldito
Em quem posso confiar
E se em batalha cair
Sei que de ti a proteção vira
Pois tu lobo maldito
Estará a me acompanhar
E nas horas de desespero
Não terei o que temer
Pois carrego dentro de mim
Um Lobo maldito para me socorrer
Inerente ao meu próprio o ser
Um lobo maldito se espalha
Pois ódio no sangue a percorrer
É como brasa quente na palha
Lobo maldito por fim
Juru-te lealdade
Como tu jurastes a mim
Viverei a tua verdade.
Daniel Sena
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Apologia ao Caos
E hoje apenas não quero sair de casa
Quero fazer apologia ao caos
Ver filmes pornôs no café da manhã
Acender fogueira de são João no natal
Romper com meus pais no almoço
E não mais voltar pra jantar
Fugir daqui com você
Fazer sexo até o mundo acabar
Quero abrir as grades da prisão
E abrir o zíper da tua calça
Quero a possibilidade de não voltar mais a viver
E poder voar ao infinito
Quero toda dor e todo o sangue
E tudo mais que for bonito
Toda fúria e toda a revolta contida
Fazer morada nas batidas
Sentir o afago da avó
A simplicidade e o rebuscamento
Fugirei do casamento
No lombo de um jumento
Pois não nasci pra tal calvário
Quero fazer Apologia ao caos
Pois ele é o único que faz sentido
Quero tudo que houver de mais terrível
Tudo que o mundo puder me apresentar
Vou pregar contra as igrejas
E contra o falso moralismo cristão
Vou adolescer por completo meus versos
E farei tudo dar certo
Quando levantar do meu divã
Meus pais querem um psicólogo
Digo que não tenho nada de Pisciano
O psicólogo fala que é adolescência
Digo, são rios, sou oceano
Acreditam todos que vai passar
Prefiro crer que é o fim dos tempos
Não preciso ter nenhum argumento
Só quero ver o mundo acabar
Roda moinho, roda gigante
Meus pais querem um psicólogo
Digo que não tenho nada de Pisciano
O psicólogo fala que é adolescência
Digo, são rios, sou oceano
Acreditam todos que vai passar
Prefiro crer que é o fim dos tempos
Não preciso ter nenhum argumento
Só quero ver o mundo acabar
Roda moinho, roda gigante
Roda moinho, roda pião
Farei de hoje em diante
Do caos o meu coração
Farei de hoje em diante
Do caos o meu coração
Comédia Humana
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| Imagem: Fabiu Lorenzi |
I
Um olhar languido persegue-me
Teu corpo delgado, acende-me
Ofegante, excita-me
Devoro-me com pensamentos imorais
Saliva escorre da boca
Lambo os beiços imaginando
Deliciar-me contigo, lascívia
Como um lobo ao ver sua presa
Afim de saciar sua avidez canina
Minha pele se arrepia
Um frio em mim se espalha
Como um guerreiro perante a batalha
Preparo-me para enfrentar meu inimigo
E depois de derrubar-te de teu trono
Arrancar tuas vestes
E mostrar que és Kafka também
Desprezível, digna de pena, nada além
E depois de lambuzar-me com cada pedaço
E de saciar todas as minhas vontades
Cuspir-te-ei no chão como mereces
E te mostrarei, és daninha também
Abrirei teus olhos para ti mesma
E mostrar-te-ei a obscuridade
Que mora em ti
II
Levantar-te-ei pois mereces
Ó seres dignos de misericórdia
Ensinarei a lutar com a força de tuas almas
Pela redenção
Em triste, pranto farei
Reconheça que sou bom
Sou amor e humildade
E a responsabilidade das mortandades
Estão fora de minhas mãos
Povos indígenas, Ucranianos, Armênios
E outros tantos deveriam morrer
Faz parte do destino
Agora segue este caminho fecha teus olhos
Pois te que quero bem
Pra que lembrar do sangue da estrada?
Se no fim da caminhada
Viverás perfeição
Era necessário que sofressem
Para que agora reconhecessem
Que fora de mim
Não há salvação.
Daniel Sena.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Orgulhoso
Como cacos de vidros sendo mastigados
Vilmente rasgam sua boca encharcada de sangue e saliva
fragmentos do vidro dessem por sua garganta
Desconfortavelmente rasgando-a
Dolorosamente cortando-a,
Fazendo-te sofre por abandonar a si mesmo
Sua própria imagem no espelho.
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